quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Para os interessados por psicoterapia infantil

O Núcleo de Apoio Apego e Perdas também está promovendo a II turma da Capacitação em Ludoterapia com base na psicoterapia somática.
Em 2011, houve a I turma, ministrada pela psicóloga Kátia Cristiane Bezerra, que formou um grupo de trabalho muito produtivo. Para este ano, a primeira turma se formou desde novembro passado mas, devido à procura, o Núcleo decidiu abrir mais algumas vagas.
O curso tem apenas 10 módulos e é introdutório para os fundamentos da psicoterapia somática, ideal para quem quer conhecer um pouco da abordagem sem necessidade de aderir à prática. O curso conta ainda com fundamentos da teoria winnicottiana que fundamenta a teoria do desenvolvimento psicológico infantil.
Ainda há algumas vagas. Informações: kmcursos@hotmail.com.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mais novidades

Estamos mais uma vez felizes com as novidades do curso.
A divulgação foi iniciada hoje e nos próximos dias esperamos ver nossos cartazes nas principais clínicas, hospitais, escolas e faculdades de Natal-RN.
Aumenta o número de interessados a cada dia e estamos com uma ótima expectativa de formar um rico grupo de trabalho.
Hoje confirmamos a participação da nossa amiga Christine Campos, psicóloga, especialista em Psico-oncologia, que abordará o tema Luto dos profissionais de saúde baseado nas considerações de sua defesa de mestrado que, por sinal, foi um trabalho ímpar.

E aí, vejam as nossas carinhas alegres de comemoração. Só coisa boa!

Por Kátia Cristiane Bezerra

domingo, 15 de janeiro de 2012

Boas Notícias

Muito boas notícias! Essa semana tivemos a confirmação do médico Rodrigo de Vilar e Furtado como professor convidado na II turma Apego e Perdas. Ficamos imensamente felizes com mais uma valiosa parceria.
Além de Dr. Rodrigo, nefrologista, seguem confirmados Dra. Daniele Soler, médica paliativista e Dr. João Bosco, enfermeiro, nossos parceiros da turma anterior.

Nosso grupo esteve reunido para tratar das inscrições do curso que estão em andamento.
Quem se interessar, contatar Luciana (84) - 8885-7877 /9921-6407 /contato@apegoeperdas.com.br

Ah, mais uma novidade: O núcleo agora tem página no facebook: Apego e Perdas. Aproveitem e curtam. Haverá novidades por aí!

Por Kátia Cristiane Bezerra

domingo, 27 de novembro de 2011

"Marque um compromisso na agenda do seu filho!" - Kátia Cristiane Bezerra

Tenho pensado muito a respeito da infância nesses tempos de modernidade. São tantas exigências, expectativas, compromissos e responsabilidades, que me faz lembrar da infância do século passado, em que as crianças eram "mini-adultos" e eram objetos de nenhuma atenção especial além de cuidar de sua saúde, bons modos, e ajudar os adultos em suas tarefas.

Hoje a realidade é outra, criança é superprotegida, é atendida em suas prioridades (infelizmente também nas futilidades), vai à escola muito cedo, é um nicho do mercado publicitário (pasmem, ainda não trabalham e já detêm um dos maiores poderes de compra!). Contudo, sofrem igualmente um dos piores males do nosso século: o excesso que encobre a falta.

Explico: enquanto nós, pais, trabalhamos e trabalhamos a fim de "viver bem", ter melhor qualidade de vida, ofertar boa educação aos nossos filhos, eles estão sofrendo significativas faltas. Falta nossa presença, nosso olhar cotidiano, falta tempo para fazer a tarefa, para levar à escola, para brincar no fim do dia, para colocar pra dormir... E sobra o quê? Nada diferente do que é a nossa própria vida de adultos, sobra trabalho e falta prazer.

Dia desses no consultório, uma  paciente de 08 anos me disse, animada:
- "Acredita que minha mãe me tirou do ....( determinada atividade)?! 
Eu lhe disse:
- "Ah , então sua mãe resolveu atender o seu pedido?
E ela seguiu:
" Que nada! Foi simplesmente porque não cabe na minha agenda... Tenho certeza de que se tivesse uma horinha sobrando ela não deixaria passar! "

Esse é um diálogo cada vez mais comum entre as crianças e os adolescentes hoje. Reclamar da agenda apertada e dizer que não sobra tempo para quase nada que não envolva os compromissos pré-profissionais: escola, balé, sapateado, inglês, natação, aula de reforço, kumon, aula de música, futebol...

Há quem diga que não é de todo ruim pois, baseado no discurso dos pais, quando crescerem verão o que é ter compromissos de verdade, referindo-se ao trabalho. É claro que há crianças muito ativas, que revelam várias habilidades, e que uma rotina preenchida não prejudica seu rendimento escolar, seu sono, ou até mesmo o seu lazer e descanso. Mas sabemos que não é a realidade de todos. A maioria dos pais está cheia de boas intenções ao lotar a agenda do filho, afinal, alguns querem dar-lhes as  oportunidades de que não dispuseram em sua própria infância. Há também os que preferem a rotina preenchida ao ócio em casa nas mãos de funcionários, ou diante da TV e do video game, e ninguém os condenará por isso. A questão é que cada criança possui seus próprios limites, sendo necessário, pois, estar atento a eles. Em alguns casos, a agenda lotada leva a uma fadiga e a sintomas indesejáveis, principalmente na esfera emocional, caso isso esteja acompanhado da ausência dos pais. De nada adianta novas descobertas e a aquisição de fantásticas habilidades, se os pais não estão ali para compartilhar.

Importante saber que a própria criança dará os sinais de que está bem e realizada naquilo que faz. Diante de sinais de alerta, ou qualquer dificuldade que possa comprometer o bom desenvolvimento físico e emocional do seu filho, reveja sua rotina. Conversar na escola, com os profissionais que o acompanham e, principalmente com a própria criança, são sempre os melhores caminhos. E não esqueçam: tempo é oportunidade. Marquem na agenda de vocês e dos seus filhos um encontro diário com a diversão, o carinho e o prazer.

Katia Cristiane Bezerra
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia na área de Família.
katia@apegoeperdas.com.br
*artigo encomendado pela Revista Viver Bem (publicado na edição set-out/2011, Natal-RN), na íntegra.

domingo, 20 de novembro de 2011

Os efeitos terapêuticos das estórias infantis - Luciana Figueiredo

O momento de contar histórias é, acima de tudo, uma fonte de prazer e contribui de forma ímpar para o desenvolvimento social, cognitivo e emocional da criança. O simples ato de narrar um conto de fadas permite a criança vivenciar uma aprendizagem significativa, trabalhando-se o lúdico e o imaginário infantil. 

De acordo com Bettelheim (2006), o conto de fadas é psicologicamente mais convincente do que a narrativa realista, porque coloca a criança frente a uma situação-problema cuja solução ela encontrará a partir da sua capacidade de imaginar.  Ao narrar uma estorinha, podemos colocar a emoção na entonação da voz e possibilitar que a criança passeie e interaja com os personagens, falando sobre o que ela acredita que irá acontecer. Desta forma, o conto de fadas terá um efeito terapêutico na medida em que a criança encontra uma solução para sua situação-problema, ou seja, seus medos e angústias. É como se a criança, ao sentir-se atraída pela narrativa, não se deixasse abater pelos seus problemas reais e experimentasse lutar contra as dificuldades da vida. É através dos efeitos heroicos e das palavras mágicas que a criança, de modo inconsciente, acredita que também poderá encontrar força para enfrentar suas dificuldades na vida. Segundo Bettelheim (2006), o conto de fadas diz à criança de que maneira ela pode viver com seus conflitos sugerindo-lhe fantasias das quais jamais ela seria capaz de inventar por conta própria. Fantasias essas que Radino (2003) define como nosso combustível interno. De acordo com suas afirmações, desde o nascimento, para que seja possível sobrevivermos psiquicamente, passamos a criar fantasias necessárias para dominar nossas angústias e realizar nossos desejos. De outra forma, seríamos esmagados por nossas angústias. O autor acrescenta que os contos de fadas dão forma aos seus desejos e emprestam-se como cenário de seus sonhos, aguçando a imaginação e favorecendo o processo de simbolização da criança. 

Para Bettelheim (2006), o conto de fadas é fundamental para a formação da criança, porque permite à criança experienciar a fantasia, a magia, o símbolo e o seu significado como um canal de acesso ao seu inconsciente, dando asas à imaginação, e possibilitando-lhe distinguir o real e o irreal, consentindo estabilizar afetos conflitantes, configurando claramente o justo e o injusto, o bom e o mal. Isso tudo só é possível porque estas narrativas possibilitam de modo inconsciente, através do “faz de conta”, acessar processos internos que ocorrem na parte mais íntima de um ser, na essência do seu sentir e do pensar. E as crianças por serem extremamente sensíveis entendem perfeitamente a linguagem dos símbolos presentes nos contos, pois as inventam no seu dia-a-dia no jogo do “era uma vez” e, seguem com a garantia transmitida pelos contos que assim como a princesa sofreu por toda a estória e teve um final feliz, ela também conseguirá ter um final feliz ao encontrar uma solução para lidar com suas angústias. 

E não é por acaso que em meio a tantos contos, a criança se identifica com um, e pede para a mamãe repetir incansavelmente a mesma estória ou parte dela.      

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 21. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
RADINO, Glória. Contos de fadas e realidade psíquica: a importância da fantasia no desenvolvimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

domingo, 13 de novembro de 2011

Eu por mim mesma - Kátia

       Bom, chegou a minha vez de contar como foi que eu vim para aqui.
    Na verdade, sou daquelas pessoas que acredita em destino, em encontros e, sobretudo, nos desígnios de Deus. Apesar da minha amizade dos últimos 17 anos com Millena Câmara, minha parceira desde os primeiros dias da faculdade, era daquelas que jurava nunca trabalhar com Luto. Essa negativa durou uns bons anos, até descobrir que Luto não tratava apenas das perdas para a morte.
    Quando sonhei ser psicóloga, pensava em cuidar de crianças. Meus anos como catequista me confirmavam esse desejo. Felizmente, ainda na minha formação, aprendi que para ser boa terapeuta, precisava atender todas as idades. E fui me encantando com meus clientes adultos desde o estágio. Mas, motivos maiores, uma decisão acertada e um pouco de sorte me levaram a fincar meus dois pés no social. Depois do rico estágio em psicologia escolar, trabalhei por 06 anos numa escola de referência em educação infantil, experienciando o que via nos livros e nas histórias dos meus clientes do consultório. Nessa época, influências profissionais e teóricas importantes recheavam meu currículo, além de oportunidades de descobrir fronteiras, como também foi o meu trabalho por quase 06 anos com grupos de pais e adolescentes na área de intercâmbio cultural. Como dádiva de Deus, fui nomeada no concurso do TJ e, atuando como psicóloga, estive mais de quatro anos na Vara de Infância e os últimos 06 anos nas Varas de Família. 
   Em todo esse tempo fui investindo no que poderia me acrescentar, pessoal e profissionalmente. Depois do Mestrado, fiz inúmeros cursos na minha área clínica: 05 anos de Formação Internacional em Biossíntese, Psicoterapia corporal para crianças e adolescentes com Brasilda Rocha, recentemente a formação, também internacional, em Constelações Familiares e, atualmente estudo um pouco de Psicanálise.
     Mas, voltando ao começo, como foi que eu vim parar aqui mesmo? Na verdade, isso tudo ia acontecendo e eu nunca desgrudei da minha amiga Millena. Construímos sonhos juntas, nos tornamos sócias, nosso consultório mas, até então, tínhamos vida paralelas. De tanto falarmos sobre separação conjugal, descobri que já trabalhava com luto todos os dias, o da família. E um dia recebi um delicioso convite: "Vamos fazer um curso?" E de lá para cá não paramos mais. Foram 03 cursos de luto Infantil, a primeira turma do Apego e Perdas e, agora, saindo do forno, o nosso Núcleo de Apoio Apego e Perdas, em parceria com Luciana e Marianna. 
   Nesses últimos 03 anos tenho aprendido muito com as meninas. Aprendido sobre vida, sobre morte, sobre apego e desapego, enfim, aprendido como dar mais valor a minha própria vida e às pessoas que amo, diariamente. Trabalhar com luto está me educando para a morte. Não só aquela finita, mas as muitas que temos ao longo da nossa existência. Não tem sido fácil. Continuo com medo de morrer, da morte dos meus, mas hoje estou muito feliz de poder trabalhar com esse tipo de cuidado. Um cuidado tão especial. De estar junto e ajudar o outro nos momentos mais dolorosos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quem sou eu? Por Marianna Mendes

 "Cada um de nós compõe a sua história
 Cada ser em si
 Carrega o dom de ser capaz
 E ser feliz
 Conhecer as manhas
 E as manhãs
 O sabor das massas
 E das maçãs
 É preciso amor
 Pra poder pulsar
 É preciso paz pra poder sorrir
 É preciso a chuva para florir".

(Almir Sater)


    Bom...pensei que esse trecho da música, "tocando em frente" fala muito de mim... Sou apaixonada pela minha profissão, pela minha família ( que está crescendo...), pelos meu amigos e pelo núcleo que estamos construindo. Não tenho como falar da psicologia do luto sem falar da minha vida. Como diz a música, "cada um de nós compõe a sua história" e na minha existem, desde de muito pequena, perdas para morte. Mas acredito que é preciso a chuva para poder florir e, assim, me sinto hoje mais forte e com muita vontade de ser feliz...

    Diante das perdas, vivi o meu luto, mas só pude compreender, conhecer ou cuidar dele quando conheci Millena. Nosso encontro foi num curso, ela com seu jeito cuidadoso e carinhoso ensinava sobre morte, perda, luto... Eu fiquei fascinada e comecei  a estudar também. Ela foi, e ainda é, uma fada madrinha, guiou meus passos no final da faculdade, escutou meus choros quando viajava para a pós em psicologia do luto, no 4 Estações - SP, enfim, uma grande amiga. Ela também me apresentou Luciana e Kátia, com quem venho aprendendo cada dia mais a ser um ser humano melhor.
    Hoje, estamos formando o nosso núcleo, cada uma com seu jeito, com seu carinho e amor pela profissão. Eu trabalho no consultório e também fazendo atendimento domiciliares. Tenho uma enorme gratidão a todos os meus clientes ou pacientes, aprendi, aprendo e quero continuar aprendendo com eles. Vivenciamos juntos momentos emocionantes de troca, de emoções, sentimentos, despedidas... E ao sair de cada atendimento, penso novamente na música e acredito que "cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz...", mesmo quando estamos diante do turbilhão de emoções, sensações e medos que o luto nos coloca.                
   Finalizo 2011 com muitas realizações... O sucesso da primeira turma do Curso Apego e Perdas, a criação do Núcleo de Apoio Apego e Perdas, inscrições para a segunda turma no próximo ano, conclusão do curso de Psicoterapia Infantil, finalizando a Pós em Humanista Existencial....e realizando o sonho de ser mãe de uma menininha, Liz!!!