domingo, 27 de maio de 2012

Turma II - passamos da metade

Este fim de semana chegamos ao III módulo do Curso Apego e Perdas: compreendendo o processo de Luto. Depois das reconhecidas teorias de constituição psíquica, teoria do apego de Bowlby, Morte, Luto e Separação conjugal, neste último módulo pudemos conversar sobre intervenções em Luto em diferentes contextos (escola, emergência e desastre, home care, Justiça e cemitério).
As aulas têm contado com um grande grupo de profissionais, envolvido e ativamente participativo que eleva o nível das discussões e enriquece o nosso processo de aprendizado.
Seguiremos agora para o desfecho com os dois últimos módulos (junho e julho), em que receberemos nossos convidados e parceiros ilustres: os médicos Rodrigo Furtado e Daniele Soler, a psicóloga Christine Campos e o Prof. Dr. Jõao Bosco que nos encantará com suas aulas.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Feliz "Mudança"!

Esses dias ouvi de um amigo um desejo de Feliz "Mudança"(Páscoa). Achei interessante como algo simples pode ter efeito complexo sobre a consciência de alguém, no caso, a minha.

Nesses tempos de mundo egoísta, narcisista, imediatista e, com todos os demais "istas" que possamos imaginar, cada um é por si, todos por ninguém e Deus pra uns privilegiados de fé. Estive pensando muito aquém do futuro da humanidade. Pensei no dia de amanhã.

"O que será amanhã, responda quem puder" ... Como sugere a música, cada um só pode dizer de sua vida, apenas muitos não sabem disso. O amanhã é nada menos do que o movimento que se inicia hoje. Onde estarão seus amores, seus amigos, como estará seu trabalho, sua saúde.... Amanhã já começou e a gente nem viu. Mas, tudo bem, vá deixando pra amanhã aquela conversa, o telefonema, o médico, a reunião de família, o curso, o fim de semana na praia, a viagem dos sonhos. Vá deixando, deixando... E, de fato, esses desejos e planos serão deixados de lado, claro.

A reflexão do tempo de "Mudança" (Páscoa), como disse meu amigo, ecoou aos meu ouvidos como  bela música. Suscitou em mim o desejo de transformar o ruim em bom, o atraso em progresso, o difícil em solúvel e, incrivelmente, me fez lembrar de Deus, do poder da criação e recriação, dos milagres da existência humana e de tantos outros que Ele faz em nossas vidas, todos os dias, usando os mais interessantes instrumentos.

Com o meu profundo respeito à fé e ao credo de cada um, meu desejo nessa "mudança" é que todos, em posse de seus destinos, reconectem-se aos seus movimentos internos em busca de um amanhã feliz. E que façam hoje tudo o que desejarem porque o tempo, esse não podemos postergar.

Kátia Cristiane Bezerra

domingo, 26 de fevereiro de 2012

As redes socias como rede de apoio em situações de perda


Vivemos numa sociedade em que a comunicação acontece de forma muito rápida, o que é exacerbado pelas redes sociais, seja o twiter, facebook, blog, ou outros meios que as pessoas estão buscando para se comunicar ou se expressar.
 
Nas páginas pessoais ou através de mensagens curtas as pessoas transmitem recados de como estão, o que estão sentindo ou vivenciando… isso também acontece no caso de um perda, as quais podem ser decorrentes de uma morte ou de outros rompimentos como perdas normativas (infância, adolescência, e velhice), adoecimento, separação, mudanças, alteração da imagem corporal, mutilações, etc.
 
As redes sociais são utilizadas por quem sofre a perda, como forma de expressar seus sentimentos e, de certa forma, buscar apoio sem que seja preciso “encarar” diretamente a sociedade; como também pelos que sentem a necessidade de prestar sua solidariedade e apoio. Escrever pode, em alguns momentos, proteger do contato  com a dor do outro, que tanto nos mobiliza e nos remete a nossas próprias dores.
 
Observa-se que as pessoas que estão enlutadas ressaltam o vínculo estabelecido com quem morreu, as características daquela pessoa, e assim buscam um suporte, um apoio através de mensagens deixadas para quem morreu ou para os amigos e parentes enlutados. 
 
Algumas vezes, a pessoa que morreu é mantida na “rede”, com fotos, mensagens ou recados, seja como forma de negação de tão dura realidade na busca de preservar e se apegar a algo concreto “deixado” por quem morreu, por vezes, é poder encontrar a pessoa amada com aspectos que retratem a vida;  seja como forma de buscar “conforto” e assim não se sentir tão sozinho na dor.
 
Nossa sociedade tem dificuldade de lidar com o sofrimento e com o tempo que as pessoas enlutadas precisam para vivenciar sua dor, é como se tivéssemos que chorar por poucos dias e retomar a vida sem expressões que possam incomodar ao funcionamento social.  A morte precisa ser afastada e silenciada para não incomodar os que ainda estão vivos. “O entrelaçamento das redes de troca que unem os vivos aos mortos é hipercomunicação a silenciar o silêncio” (RODRIGUES, 2006, p. 77), ou seja, a tentativa de silenciar a dor, a incerteza, o sofrimento, ou o próprio luto. O que observamos é que esse processo de luto, dor e sofrimento passam a ser compartilhados, em alguns casos, nas redes sociais.
 
    Essas redes, como forma de apoio, podem ser importantes em momentos como esses, mas precisam ser cuidosamente utilizadas para não contribuir para a cronificação da dor.

Marianna Mendes

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Para os interessados por psicoterapia infantil

O Núcleo de Apoio Apego e Perdas também está promovendo a II turma da Capacitação em Ludoterapia com base na psicoterapia somática.
Em 2011, houve a I turma, ministrada pela psicóloga Kátia Cristiane Bezerra, que formou um grupo de trabalho muito produtivo. Para este ano, a primeira turma se formou desde novembro passado mas, devido à procura, o Núcleo decidiu abrir mais algumas vagas.
O curso tem apenas 10 módulos e é introdutório para os fundamentos da psicoterapia somática, ideal para quem quer conhecer um pouco da abordagem sem necessidade de aderir à prática. O curso conta ainda com fundamentos da teoria winnicottiana que fundamenta a teoria do desenvolvimento psicológico infantil.
Ainda há algumas vagas. Informações: kmcursos@hotmail.com.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mais novidades

Estamos mais uma vez felizes com as novidades do curso.
A divulgação foi iniciada hoje e nos próximos dias esperamos ver nossos cartazes nas principais clínicas, hospitais, escolas e faculdades de Natal-RN.
Aumenta o número de interessados a cada dia e estamos com uma ótima expectativa de formar um rico grupo de trabalho.
Hoje confirmamos a participação da nossa amiga Christine Campos, psicóloga, especialista em Psico-oncologia, que abordará o tema Luto dos profissionais de saúde baseado nas considerações de sua defesa de mestrado que, por sinal, foi um trabalho ímpar.

E aí, vejam as nossas carinhas alegres de comemoração. Só coisa boa!

Por Kátia Cristiane Bezerra

domingo, 15 de janeiro de 2012

Boas Notícias

Muito boas notícias! Essa semana tivemos a confirmação do médico Rodrigo de Vilar e Furtado como professor convidado na II turma Apego e Perdas. Ficamos imensamente felizes com mais uma valiosa parceria.
Além de Dr. Rodrigo, nefrologista, seguem confirmados Dra. Daniele Soler, médica paliativista e Dr. João Bosco, enfermeiro, nossos parceiros da turma anterior.

Nosso grupo esteve reunido para tratar das inscrições do curso que estão em andamento.
Quem se interessar, contatar Luciana (84) - 8885-7877 /9921-6407 /contato@apegoeperdas.com.br

Ah, mais uma novidade: O núcleo agora tem página no facebook: Apego e Perdas. Aproveitem e curtam. Haverá novidades por aí!

Por Kátia Cristiane Bezerra

domingo, 27 de novembro de 2011

"Marque um compromisso na agenda do seu filho!" - Kátia Cristiane Bezerra

Tenho pensado muito a respeito da infância nesses tempos de modernidade. São tantas exigências, expectativas, compromissos e responsabilidades, que me faz lembrar da infância do século passado, em que as crianças eram "mini-adultos" e eram objetos de nenhuma atenção especial além de cuidar de sua saúde, bons modos, e ajudar os adultos em suas tarefas.

Hoje a realidade é outra, criança é superprotegida, é atendida em suas prioridades (infelizmente também nas futilidades), vai à escola muito cedo, é um nicho do mercado publicitário (pasmem, ainda não trabalham e já detêm um dos maiores poderes de compra!). Contudo, sofrem igualmente um dos piores males do nosso século: o excesso que encobre a falta.

Explico: enquanto nós, pais, trabalhamos e trabalhamos a fim de "viver bem", ter melhor qualidade de vida, ofertar boa educação aos nossos filhos, eles estão sofrendo significativas faltas. Falta nossa presença, nosso olhar cotidiano, falta tempo para fazer a tarefa, para levar à escola, para brincar no fim do dia, para colocar pra dormir... E sobra o quê? Nada diferente do que é a nossa própria vida de adultos, sobra trabalho e falta prazer.

Dia desses no consultório, uma  paciente de 08 anos me disse, animada:
- "Acredita que minha mãe me tirou do ....( determinada atividade)?! 
Eu lhe disse:
- "Ah , então sua mãe resolveu atender o seu pedido?
E ela seguiu:
" Que nada! Foi simplesmente porque não cabe na minha agenda... Tenho certeza de que se tivesse uma horinha sobrando ela não deixaria passar! "

Esse é um diálogo cada vez mais comum entre as crianças e os adolescentes hoje. Reclamar da agenda apertada e dizer que não sobra tempo para quase nada que não envolva os compromissos pré-profissionais: escola, balé, sapateado, inglês, natação, aula de reforço, kumon, aula de música, futebol...

Há quem diga que não é de todo ruim pois, baseado no discurso dos pais, quando crescerem verão o que é ter compromissos de verdade, referindo-se ao trabalho. É claro que há crianças muito ativas, que revelam várias habilidades, e que uma rotina preenchida não prejudica seu rendimento escolar, seu sono, ou até mesmo o seu lazer e descanso. Mas sabemos que não é a realidade de todos. A maioria dos pais está cheia de boas intenções ao lotar a agenda do filho, afinal, alguns querem dar-lhes as  oportunidades de que não dispuseram em sua própria infância. Há também os que preferem a rotina preenchida ao ócio em casa nas mãos de funcionários, ou diante da TV e do video game, e ninguém os condenará por isso. A questão é que cada criança possui seus próprios limites, sendo necessário, pois, estar atento a eles. Em alguns casos, a agenda lotada leva a uma fadiga e a sintomas indesejáveis, principalmente na esfera emocional, caso isso esteja acompanhado da ausência dos pais. De nada adianta novas descobertas e a aquisição de fantásticas habilidades, se os pais não estão ali para compartilhar.

Importante saber que a própria criança dará os sinais de que está bem e realizada naquilo que faz. Diante de sinais de alerta, ou qualquer dificuldade que possa comprometer o bom desenvolvimento físico e emocional do seu filho, reveja sua rotina. Conversar na escola, com os profissionais que o acompanham e, principalmente com a própria criança, são sempre os melhores caminhos. E não esqueçam: tempo é oportunidade. Marquem na agenda de vocês e dos seus filhos um encontro diário com a diversão, o carinho e o prazer.

Katia Cristiane Bezerra
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia na área de Família.
katia@apegoeperdas.com.br
*artigo encomendado pela Revista Viver Bem (publicado na edição set-out/2011, Natal-RN), na íntegra.